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CONVOCATÓRIA

Nos termos do Artº 15 dos Estatutos, convoca-se a Assembleia Geral para o dia 16 de Março de 2007, pelas 20h30m, numa sala da Escola Secundária Diogo Gouveia, com a seguinte ordem de trabalhos:

   1 - Apreciar e aprovar o Relatório e as Contas da Direcção, referentes ao ano 2006.

   2 - Proceder à eleição dos Corpos Gerentes para o período de 2007/2008.   

   3 - Outros assuntos.

Página actualizada em 31-03-2007

In "Novos e Velhos" - Jornal comemorativo da II Festa de Confraternização dos Antigos Alunos do Liceu de Beja, no ano de 1960

     No tempo em que abalei da casa de meus saudosos pais para ir frequentar o Liceu de Beja, há perto de meio século, a vida citadina, aqui, decorria sem grandes atractivos e era até caracterizada por uma monotonia que cansava o espírito. Beja, então, poderia ser considerada como uma aldeia grande, muito populosa, com os defeitos das cidades, dada a absoluta carência de elementos proporcionadores. Assim, o nível intelectual era manifestamente baixo, com poucas ou nenhumas das virtudes dos meios aldeães. A cultura, excluída a que era ministrada no seu estabelecimento liceal, não se percebia por outra forma. Não se realizavam conferências nem exposições, a imprensa estava apenas representada por dois ou três semanários, de feição política partidária, e tanto a Biblioteca como o Museu, já existentes, encontravam-se desordenados atafulhando uma dependência e corredores do antigo edifício da Câmara Municipal, sem condições adequadas, vegetando à mingua de leitores e de visitantes.

  A única casa de espectáculos, que havia, funcionava num inestético e incómodo barracão, armado com chapas de zinco, onde se exibiam filmes policiais de mau gosto, provindo deles ensinamentos seriamente discutíveis senão condenáveis por completo. Dentro deste panorama geral, perante circunstâncias tão pouco propícias para uma ascensão mental, o estudante dessa época via-se desamparado e em luta contra elementos dispersivos e impróprios para a formação da sua individualidade pensante, que conviria completá-la também, fora da esfera do ensino oficial que , já em si mesmo, era precário. Ocupava os seus ócios a deambular em grupos de três ou quatro pelas ruas silenciosas da cidade, a dar voltas na praça principal, estacionando, de dia, pelo jardim público sob vigilância apertada e hostil do guarda, sempre desconfiado ( e talvez com razão) e, à tardinha ou à noite, para fazer horas, nos cafés Camacho e do Luís da Rocha.

     Aos domingos e dias feriados estendia os seus passeios para fora de portas, quando a amenidade do tempo o permitia e, calcorreando pelas veredas e caminhos, entre trigais verdejantes e viçosos, inspirando o forte aroma que se desprende da terra, contemplava os quadros rústicos e impressionantes que tanto lhe recordava aqueles que, desde menino e moço, se habituara a admirar embevecidamente na sua distante terra natal, vibrando, assim, sob o sentimento saudosista próprio do temperamento meridional. Não se estranha, pois, que, nestas condições estreitas para um viver alegre, irrequieto e despreocupado, a gente moça do liceu sentisse a necessidade de se expandir como é próprio de quem possui ainda verdes anos e enverga uma capa negra tão simbólica de anseios e de aspirações. Portanto essa natural expansibilidade tinha que se concretizar, por exemplo, na fundação de um jornal académico, mantido à custa de enormes sacrifícios, na organização de um orfeão e de grupos dramáticos, cujas récitas muito acreditavam os seus executantes e que ainda hoje são relembradas amiúde, com merecido apreço e aquele doce enternecimento de alma que os momentos belos e felizes da vida suscitam, sobretudo se o esfumado da distância ainda mais os engrandece. A par desta faceta séria e construtiva, registavam-se também as inúmeras diabruras, algumas de talentoso engenho, as conhecidas partidas de estudantes, já tradicionais e consagradas, sem intenções molestas, tantas vezes apenas para provocar o riso sadio, a graça hilariante, em suma uma boa disposição para um melhor passadio da vida de estudo, longe do seio familiar, no aperto e frieza de um quarto alugado.

     Nesta propensão juvenil creio que se pode situar a génese da Festa do Galo a que vou referir-me com a isenção de não ter sido protagonista da notável façanha, mais simplesmente com a autoridade de contemporâneo.

     O dia 19 de Março de 1917 despontou de bom cariz e a Natureza já se mostrava atraente na retratação dos alvores da Primavera, tão próxima. Era uma segunda-feira cheia de sol e cor, valorizada por uma temperatura suave. Apetecia, na verdade, abandonar o velho burgo bejense e, em pleno campo, ir respirar o ar puro e reconfortante. Um grupo de estudantes, uma meia dúzia deles, terminadas as aulas ou talvez para aproveitamento de uma gazeta combinada, decidem ir passear pelos arredores, expondo-se à acção benéfica do astro criador.

     Todos manifestam a sua exuberante alegria, riem, contam anedotas, fazem comentários jocosos, pulam e ginasticulam sem obediência às regras estabelecidas. Regressam, contentes e bem dispostos, ao cair da tarde, procurando atingir a cidade pelos lados do Pelame. Eis que descortinam um portentoso galo em busca do seu abrigo nocturno. Um pensamento único domina o magote: raptar o galináceo para uma ceia, remate condigno de um dia bem passado.    Num abrir e fechar de olhos, um dos rapazes, dando um salto brusco e ágil, agarra firmemente o descuidado capão e, apertando-lhe o cano das goelas e insensível à agitação convulsa das asas e patas da vítima, esconde-o debaixo da capa negra que tem sido atenuante para muitas culpas que transitam sem julgamento nem condenação. A cautela e habilidade usadas para manter secreto o acto de apropriação, não foram suficientes, porque o bicho lá conseguiu soltar ruidosos e aflitivos galarejos de modo a despertar a atenção de um bando de lavadeiras que perto caminhava. Confirmada a suspeita e reconhecendo os estudantes que o seu furtozinho havia sido descoberto, tentam afastar-se em correria salvadora, mas as malditas lavadeiras rompem numa gritaria de insultos, impropérios e ameaças , num alarido ensurdecedor que atrai a curiosidade dos moradores da vizinhança. Dão-se peripécias de vária ordem , há quem persiga obstinadamente os autores da proeza, os quais, em face do desenrolar dos acontecimentos e do receio de serem alcançados, entram no jardim público e resolvem esconder o famigerado galo numa moita de relva e de arbustos. O guarda do recinto, homem de compridas barbas ruivas, sempre de mau humor e indisposto com os estudantes, desejoso mesmo de uma vingançazinha, perscruta de nariz no ar e prespicazmente vai dar com o esconderijo escolhido tão precipitadamente. Sorri, então de contentamento, passa a mão pelas barbaças e apanha a presa oculta e, solicito, entrega-a ao primeiro cívico de ronda. E o pobre e já celebre animalejo vai parar à esquadra da Polícia para se apurarem responsabilidades e tomar-se uma decisão justa sobre a causa em curso. Ali permaneceu, sob zelosa vigilância, durante um período de vinte e quatro horas, sendo por fim resgatado por uma alma caridosa, em troca da quantia de quinze tostões para satisfação da exigência compensadora do seu antigo dono.

  De lá saiu em liberdade, triunfalmente ao som de uma estranha filarmónica de latas e à luz doirada de archotes. Terminou a série de episódios que ilustraram a operação subtractiva do galo, numa lauta ceia em que se imolou a vida do desditoso animal para gáudio dos autores do furto e de outros companheiros, numa pândega de categoria em que os convivas fizeram discursos e se bombardearam com chufas e motejos para tudo acabar harmoniosamente altas horas da madrugada. Eis a história sucinta de um galo que deu origem a uma festa tradicional levada a efeito pelos estudantes do liceu de Beja, pela primeira vez na data do primeiro aniversário (1918) desta brincadeira, oferecendo um espectáculo curioso à cidade de Beja que se animava perante o folguedo estudantil, cuja população tão bem compreendia e até acarinhava com simpatia. A festa ficou memorável e passou a ter foros de sensacional.

     Nas proximidades deste dia festivo, nos anos seguintes, grupos de capas negras apareciam, frequentes vezes pelos bairros arrabaldinos da cidade no firme propósito de obterem, para a Festa, um galo por subtracção. Os moradores, porém, cientes da época em que se realizava tal operação, tomavam precauções especiais e até agressivas de ano para ano mais severas, de modo a tornarem muito difícil senão impossível a prática do acto preconcebido e condicional do festejo. Mas sempre se ia conseguindo o desideratum...

     Na noite desse notável dia desfilava pelas ruas da nossa cidade pacata, um luzido cortejo formado por "forças" de artilharia , em atitudes garbosas e todos estavam atentos para a defesa do galo conduzido pelo estudante mais pequeno, pois havia conhecimento de assaltos premeditados contra a posse do galaroiço que, impávido e sereno, se admirava à luz baça dos archotes e ao som dos acordes musicais da filarmónica contratada.

     Os figurantes do cortejo envergavam trajos de composição híbrida e bizarra, com certo carácter carnavalesco, como fronhas pendentes da cabeça, alvas ceroulas com polainas sobrepostas, batinas com as orlas guarnecidas de rendas e chapéus emplumados, que as famílias ou as hospedeiras dos estudantes preparavam com compreensiva solicitude.

     O cortejo deslizava paulatinamente por entre alas compactas de povo e das janelas cheias de damas desciam alguns olhares nimbados de ternura significativa. De facto a cidade movimentava-se dando mostra de alegria e a massa de gente que acompanhava os estudantes, não arredava pé sem assistir à parte final, na praça fronteira ao edifício do liceu, onde se tinha erguido um coreto para ser lido o testamento do galo, contendo judiciosos conceitos e acertadas disposições, e proferidos famosos discursos que serviram de bom treino para oradores que, pela vida fora, alcançaram renome.

     Para epílogo era o galo leiloado, sempre por uma quantia grada e algumas vezes oferecido pelo generoso arrematante, encerrando-se o programa com uma ceia farta e alegre em que a mocidade do liceu dava largas à sua sensibilidade emotiva e aos seus dotes folgazões.

     Alguns anos volvidos, ao que me consta por incidentes provocados, desapareceu do calendário esta festa inofensiva que tinha o condão de quebrar a pacatez e o tédio que, noutros tempos, inferiorizava a vida do estudante da velha Pax-Júlia...

F.Valente Machadoo

Do Diário de Notícias, de 3 de Abril de 1922, sob o título «Em Beja. Uma festa de estudantes, que se populariza, ganhando tradição»

 A mocidade estudiosa do liceu desta cidade levou a efeito, numa destas noites, em inofensiva esturdia, a tradicional "Festa do Galo", tendo percorrido as ruas da cidade num luzido e pitoresco cortejo, para cujo brilhantismo concorreu uma banda de música expressamente contratada e ao qual não faltou o concurso, por dever de ofício, da cavalaria da G. N. R.

  Tem já a festa as suas tradições, e a sua origem vem de uma aventura em que, há anos, alguns académicos se meteram, e da qual resultou irem para a esquadra de polícia acompanhados de um soberbo galo, sultão de certa capoeira e pouco antes sequestrado ao convívio de quantas dilectas galinhas que constituíam o seu harém.

 «Na esquadra os zelosos cívicos queriam, à viva força, que o emplumado Chantecler voltasse, qual filho pródigo, ao poleiro de que havia sido destituído; mas a 'briosa' quis sustentar  o seu  capricho  e a  policia só pôde  verificar, passadas algumas  horas,  que o vespertino despertador, após morte violenta, dera a alma 'à criação' e só lhe restava, como sucedeu, temperar a mais suculenta canja de que havia memória nos anais das patuscadas alegres da academia de Beja, a qual lhe prestou, como era de esperar, as devidas honras..., 'de caixão à cova'.

  É este o acontecimento que se soleniza todos os anos, na noite do aniversário da 'captura' do primeiro galo; e para que a festa seja, quanto possível, a fiel reprodução da tragédia original, todos os anos os nossos académicos nas proximidades da patuscada, armam em 'verdadeiro terror' de todas as capoeiras.

  O cortejo forma-se em frente do liceu, e os lençóis da cama de cada qual constituem o típico 'travesti' de quantos estudantes naquele se incorporam, uns a pé, outros montados em jumentos; e enquanto a artilharia troa e a banda de música executa a mais fúnebre de todas as marchas graves, a 'vítima', imolada à capoeira menos vigiada, segue pachorrentamente ao colo de um estudante eleito, este em cima de uma padiola conduzida por outros académicos e iluminada a lavareda encarniçada de alcatroados archotes.

 E o cortejo lá segue; funéreo no feérico do seu aspecto, alacre de mocidade, entre alas e acompanhado duma enorme massa de povo até vir debandar, novamente, na Praça da República, junto do liceu, onde, duma tribuna previamente ali erguida, vários oradores, inscritos e não inscritos, dão largas à sua alegre loquacidade, engendrando os mais alegres disparates sobre o 'tema' da sua festa.

  Brincadeira inofensiva é esta, verdade, em que duas vítimas há apenas a registar - o galo e a pessoa que ficou sem ele; mas enquanto a mocidade assim se diverte, não há receio de que ela enverede por outros caminhos que lhe podem ser prejudiciais.

  E tão popularizada ela está que, este ano, apesar de ser feita sob chuva, se lhe associaram mais de mil pessoas, sendo vulgar encher-se totalmente a Praça da República nos anos em que se realiza com bom tempo.»

SERENATA MONUMENTAL - IX FESTA DO GALO - 1997

NARCISO GAITINHA - “ Do Choupal até à Lapa” - Mi

TÓ FRAZÃO - “Maria se fores ao baile” - Lá

.MANUEL CANO - “Lá longe ao cair da tarde” - Lá

TITA SANINA - “Fado dos Passarinhos” - Mi

TÓ ZÉ ZAMBUJO - “Trova do vento que passa” - Sol

ANÍBAL FERNANDES - “Rosas brancas” - Lá

 GUITARRAS: ROGÉRIO MESTRE e JORGE FRANCO
VIOLAS: MANÉ, CARLOS FRANCO e GOINHAS PALMA: Variações em Ré

NARCISO GAITINHA - “Igreja de Santa Cruz” - Ré

TÓ FRAZÃO - “Maria Faia” - Lá

MANUEL CANO - “Nasce na Estrela o Mondego” - Sol

TITA SANINA - “Fado Hilário” - Mi

TÓ ZÉ ZAMBUJO - “Samaritana” - Ré

VIRGÍNIA PANCADA - “Fiz uma cova na areia” - Mi

ANÍBAL FERNANDES - “O Sol anda lá no Céu” - Sol

NARCISO GAITINHA - “Fado Alentejano” - Lá

TÓ FRAZÃO - “Santa Clara” - Dó

MANUEL CANO - “São tão lindos os teus olhos” - Lá

TITA SANINA - “Coimbra menina e moça” Ré

FERNANDO ROMÃO - “O meu menino é d’oiro” - Sol

ANÍBAL FERNANDES - À meia noite ao luar” - Sol

“Balada da despedida” - Fá

TODOS

FESTA DO GALO 2000 ASSINALA CINQUENTENÁRIO DA INICIATIVA
Uma festa original que se renova

Estudantada é brincadeira de estudante. É com esta definição que o meu velho dicionário designa a palavra com que inicio a abertura deste trabalho sobre a X Festa do Galo em Beja.

Francisco Pratas

A história começa assim: foi com uma estudantada que um dia nasceu esta já velhinha Festa do Galo. Curiosamente, é ainda com uma estudantada que antigos e actuais alunos do secular Liceu de Beja assinalam, de cinco em cinco anos, a recordação desse acto brincalhão que levou, na altura, um grupo de estudantes daquele liceu, quase em fim de curso, a roubarem de uma capoeira um emproado e gordo galo. Roubar a apetitosa ave e imolá-la após o acto, visando uma boa jantarada, foi obra de um momento, sem atentarem sequer nas consequências de tão leviano processo... 

Ao ousado autor da proeza a brincadeira ficou-lhe cara, não só porque teve de pagar ao respectivo dono o imolado galináceo, como ainda teve de o fazer sob prisão, dc que só se libcrtou por um espontâneo acto de generosidade dos colegas que de pronto se colectaram entre si, a fim de custearem as despesas inerentes à imprudcnte aventura. Só que a história fez história entre a academia bejense daquele estabelecimento de ensino, e daí o assinalar do feito que quinquenalmente anima as ruas dc Beja. E se é verdade que alguns   dos mais entusiastas na continuidade         dc

  manter viva, durante muitos anos, esta original memória,  lamentavelmente já não constam do número dos vivos, deixaram esses aos que por cá vão ficando o testemunho da sua perseverança, recordando                 tal  acontecimento.

E naturalmente, de geração em geração, o testemunho vem passando, que a Festa do Galo é coisa exclusiva de quantos, um dia, se perderam, ou encontraram, nos amplos corredores da “Casa Amarela".

Por isso mesmo, no próximo mes de Maio, dias 5, 6 e 7, Beja -cidade vai abrir, uma vez mais, os seus acolhedores braços à estudanrada de todos os tempos, esses mesmos que um dia cruzaram as portas do velho Liceu e ali viram escoar a sua própria adolescência.

Foi pois para nos falar da Festa do Galo que o DA quis ouvir dois elementos da comissão organizadora e sirnultaneamente dirigentes da Associação dos Antigos Alunos, Aníbal Fernandes e João Mimcso, veteranos de anteriores edições, filhos de Beja e que por Beja ficaram. E que, a exemplo de outros, aguardam agora, com certa ansiedade, os  muitos ausentes que, numa simbólica viagem ao  passado, regressam aos  descuidados tempos     da       sua

  juventude, voltando a repisar as ruas da velha urbe, ou a olhar com uma pontinha de saudade, a imponente Torre de Menagem do seu  vestusto castelo.A décima edição da Festa do Galo assinala o 50º aniversário da primeira iniciativa, que teve lugar em 1950.

A Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Beja pretende, com a festa, promover a confraternização       dos antigos e              actuais      alunos do Liceu/Escola Secundária Diogo de Gouveia

Como encaram a Festa    do Galo quando se adivinha que, mais tarde ou mais cedo, esta tem os dias contados?    

 Anibal Fernandes (AF) - É verdade que manter esta iniciativa poderá parecer a muito boa gente uma teimosia. Hoje, os alunos do antigo Liceu não estão naquele estabelecimento mais que três anos (10º, 11º e 12º ano), o que lhes impede de criar as raízes que outrora ali se deixavam. Só que enquanto muitos de nós por cá estivermos,a efeméride não se apagará das nossas memórias. 

JoâoMimoso(JM) - O Aníbal tem razão! E quero recordar aqui que o grande motor de arranque para que estes festejos não se percam a curto prazo é a Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Beja que, felizmente, conta ainda com      um    significativo número de   associados.

E vão cumprir o tradicional programa, incluindo a leitura do Testamento do Galo?

AF - Mas isso é óbvio! Aliás, é com esse célebre documento que vamos encerrar os festejos...

Mas vocês teráo de ter espiões" nas instalaçêes, já que só esses podem dar as tais engraçadas e oportunas "dicas" de que os professores eram as maiores vitimas....

AF - Ah, mas é isso mesmo  que vai continuar a acontecer. Há actuais alunos que vão colaborar connosco e caberá a eles a leitura de tão importante documento. Estamos pois em crer que esta festa, a exemplo das anteriores, vai ser um êxito, já que muitas são as adesões recebidas.      

JM - Quero ainda lembrar que as receitas provenientes desta iniciativa, como das anteriores, têm um fim benemérito, de que a Associação faz bandeira. Estas verbas destinam-se, excIusivamente, a subsidiar estudantes mais carenciados, na continuidade dos seus estudos. Inclusive até mesmo aqueles que vão frequentar ou frequentam cursos  superiores.

ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DO LICEU DE BEJA

Festa do Galo faz 50 anos

A Associaçâo dos Antigos Alunos do Liceu de Beja organiza em Maio próximo a l0ª Festa do Galo. A iniciativa cultural e recreativa faz agora 50 anos que se rea­lizou pela primeira vez.

A 10ª Festa do Galo, organizada pela Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Beja, tem lugar nos próximos dias 5, 6 e 7 de Maio. O programa provisório desta iniciativa que   decorre       meio século   depois         da

primeira     edição -  já  foi divulgado e pretende ser urna confraternização dos antigos e actuais alunos do Liceu/Escola Secundária Diogo de Gouveia.

A 10ª Festa do Galo, no seu 50ª aniversário (1950/2000) começa, no dia 5, às 22 horas, com uma serenata nas escadarias junto ao Convento de Nossa Senhora da Conceição.

No dia 6, de manhã, há actividades  desportivas

nas instalações da Escola   Secundária Diogo de Gouveja, seguindo-se. às 12 horas, a recepçâo aos antigos alunos com cantares alentejanos, uma sessão de boas-vindas no anfiteatro e um beberete na cantina. À tarde, realiza-se uma tarde cultural no ginásio, com teatro e variedades. À noite, às 22 horas, é o tradicional baile de gala, com a grande Orquestra Santos Rosa e o conjunto “Filhos da Pauta”.

O dia 7          começa com  uma romagem ao túmulo de Maria Isabel Covas Lima, seguindo-se missa na Igreja de Santa Maria. Às 12 e 30 horas, haverá urna concentração no Largo de Santa Maria, seguida de cortejo até ao Liceu, abrilhantado pela Banda da Sociedade Filarmónica Capricho Bejense. Depois do almoço, no antigo Liceu, realiza-se um cortejo pelas ruas da cidade e procede-se à leitura do Testamento do Galo.

1º Patrono do Liceu de Beja

Aspecto antigo da Praça da República, onde funcionou durante anos o Liceu e que é, por isso, um local de velhas tradições da Academia Bejense

Curioso e simbólico arranjo fotográfico que reune os três edifícios do Liceu. À direita, a “porta de ferro” do edifício onde o Liceu primeiramente funcionou, no antigo Palácio dos Maldonados, à Rua do Esquível; ao centro, o segundo edifício na Praça da República; à direita o actual edifício, no Largo Escritor Manuel Ribeiro.

Alguns dos seus Reitores

Dr. Alberto Almeida Neves

Dr.Joaquim José Galante Carvalho

Aula de Química - Anterior a 1910

Aula de Ginástica - Anterior a 1910

Dr. Manuel Caldeira de Sousa

Aula de Química - Anterior a 1910

1º Edifício

Liceu da Colegiada

Em 1852 o Liceu de Beja ocupou o seu. primeiro edifício conhecido, na antiga Colegiada dos Jesuítas.

A rainha Sofia de Neuburgo esposa de D. Pedro II, promove a sua construção em 1695.

Aquando da restauração do Bispado de Beja (1770), D Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas foi seu Bispo e instalou aqui o Paço Episcopal, em 1777.

Neste edifício também funcionaram o Governo Civil, o Arquivo Distrital, o Seminário Diocesano, a Escola Comercial e Industrial, o Magistério Primário e a Escola Superior de Educação

Actualmente estão ali instalados um polo da Universidade Moderna e a Guarda Nacional Republicana.

Esta foi a nossa primeira casa, há 150 anos. Depois, em 1863, verificou-se a primeira transferência.

2º Edifício

Liceu de São Thiago

 Em 1863 o Liceu mudou, pela primeira vez, de espaço.

 Saiu da Colegiada dos Jesuítas e instalou-se no Terreiro de S. Thiago, hoje largo do Lidador também conhecido como Largo da Sé.

 Ficou instalado no 1º andar de uma moradia de “casas nobres”, arrendadas ao morgado de Ferreira do Alentejo, D. Diogo Francisco d'Affonsenca Vivião Passanha.

 Após algumas investigações concluiu-se que o edifício é o situado entre a Igreja da Sé (São Thiago) e a Rua dos Paos.

 A. entrada nobre, com escadaria exterior em mármore, ainda existente, fazia-se pelo lado da Igreja. A fachada principal estendia-se ao longo do Terreiro de S. Thiago e a Rua das Ferrarias (hoje Dr.  Aresta Branco).

 Presentemente encontra-se dividido entre três proprietários diferentes.

3º Edifício

Liceu do Portão

 Em 1870 o Liceu muda novamente de local por falta de espaço. Instala-se então neste seu terceiro edifício, o “Liceu do Portão de Ferro”

 Conhecido por Palácio dos Maldonados ou mais correctamente, Palácio Furtado Mendonça é nele que funciona uma residência de estudantes.

 Este é um edifício verdadeiramente monumental, já recuperado, com salas de tectos revestidos de caixotes de madeira, artisticamente pintados.

 Na "Festa do Galo" de 1987, comemorativa do 50 anos do Liceu Novo (o actual), ainda se ouviram memórias de "antigos alunos", com referências ao seu "Liceu do Portão''.

 No ano lectivo de 1905/06 foi transferido para o edifício da Praça da República.

4º Edifício

Liceu da Praça

 No ano lectivo de 1905/06 o Liceu foi transferido para o seu quarto edifício na Praça da República, o mesmo onde mais tarde se veio a instalar o Colégio do Sagrado Coração de Jesus e onde hoje funcionam vários serviços municipais e uma secção da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça.

 Em 20 de Abril de 1915 o Liceu Nacional de Beja passou a designar-se “Liceu de Fialho de Almeida”. Muitos dos “Antigos Alunos” ainda hoje se recordam, com saudade, daquele a que chamavam o "Liceu da Praça" As memórias dele estão bem presentes ainda. Foram os seus alunos que, em 19 de Maço de 1917, protagonizaram os "feitos" que estiveram na origem da “Festa do Galo”, a qual já não é só Académica mas de toda a Cidade: original e genuína, ela é uma importante tradição cultural bejense. Foi nele que a tradição da "capa e batina" ganhou a “malta”.

5º Edifício

Liceu Novo

 No ano lectivo de 1936/37 tiveram início as actividades escolares no Liceu Novo, o qual veio a ser inaugurado pelo Presidente da República, General Oscar Carmona, em 20 Junho de 1937, em cerimónia solene de inauguração e entrega do 5º edifício. O projecto foi concebido propositadamente para este Liceu pelo arquitecto Cristino da Silva.

 Foi-lhe atribuído novo Patrono: Diogo de Gouveia, o grande humanista bejense que, em Paris, foi Reitor da Universidade e "Principal" do Colégio de St.ª Bárbara. O Liceu passou a designar-se “Liceu Nacional de Diogo de Gouveia”.

 Por esta casa passaram sucessivas gerações de estudantes, ao longo de 65 anos. Muitos deles são, ou foram, destacadas personalidades da vida publica, da cultura e ciência, do desporto e dos mais variados sectores de actividade.

 Já nos alvores do Séc. XXI, dela e de quantos aqui estudam e trabalham, se espera a continuação de uma qualidade académica que é, e sempre foi, seu timbre de honra.

Reprodução do trabalho feito pelos alunos do Curso Tecnológico de Comunicação da Escola Secundária Diogo de Gouveia para a comemoração dos 150 Anos do Liceu de Beja

Serenata

X Festa do Galo - 05/05/2000

Introdução - Guitarrada - Balada de Coimbra

Alusão a: D. Maria Isabel Covas Lima, José Colaço, António Lopes Vasques, Etelvira Perpétua e Alfredo Martins

 

1º Elídio Nascimento - Água da Fonte - Mi
2º Manuel Cano - Ondas do Mar - Si
3º Narciso Gaitinha - Do Choupal Até à Lapa - Mi
4º Virgínia Pancada - Elegia Breve - Rém
5º Tó Frazão - Maria Se Fores ao Baile - Lá
6º Tozé Zambujo - Trova do Vento que Passa - Sol
7º Aníbal Fernandes - Feiticeira - Dó
8º Manuel Cano - Nasce na Estrela o Mondego - Sol
9º Elídio Nascimento - Fado das Andorinhas - Lá
10º Virgínia Pancada - Fiz uma Cova na Areia - Mi

 

GUITARRAS: ROGÉRIO MESTRE e JORGE FRANCO

VIOLAS: SÉRGIO MESTRE, RUI MESTRE, MANÉ, CARLOS FRANCO e GOINHAS PALMA

 

11º Tó Frazão - Santa Clara - Dó
12º Narciso Gaitinha - Fado Hilário - Mi
13º Aníbal Fernandes - O Meu Desejo - si
14º Tozé Zambujo - Samaritana - Ré
15º Tó Frazão - Um Amor Para Ser Amor - Fá
16º Virgínia Pancada - Canto do Mar e do Sonho - Mi
17º Elídio Nascimento - Não Olhes Para os Meus Olhos - Sol
18º Narciso Gaitinha - Fado Alentejano - Solm
19º Manuel Cano - Lá Longe ao Cair da Tarde - Lá
20º Aníbal Fernandes - À Meia Noite Ao Luar - Sol
21º Aníbal, Cano e Gaitinha - Balada da Despedida - Fá
22º Guitarrada - Balada de Coimbra

Esta casa

 (nos 150 anos da criação do Liceu de Beja)


Se o mais certo é ninguém ser eterno,
há alguém que detém a certeza
que é do velho que vem o moderno,
que a raiz é que rasga a dureza.

Esta casa com século e meio
e que veio de outras casas comprova
que viver é não ter o receio
de fazer por se ser  sempre nova.

Apegados ao tempo sem pausas,
do presente fazemos presente
a esta casa de casas e causas,
esta casa por causa da gente.

Tanta gente com nome guardado,
sem renome ou com nome obscuro
nesta casa que vem do passado
com o sonho apontado ao futuro!

Habitantes do tempo e do espaço
e do amor que esta casa nos deu,
ao subirmos da terra ao terraço
atingimos a raia do céu.

E se ao céu não se sobe num salto,
estamos longe dos astros, porém
não fugimos do céu por ser alto,
aprendemos os astros que tem.

Apoiados na força que vem
de uma 1uz que mantemos acesa,
a aprender aprendemos também
que aprender é ganhar a surpresa.

Se o presente se torna passado,
tanto quanto a memória consente
aqui estamos no tempo aprazado
a fazer o passado presente.

Beja, 4 de Maio de 2003

Martinho Marques

Autor: Martinho Marques (Antigo aluno e actual professor da Escola Secundária Diogo de Gouveia).

Poema lido pelo autor na comemoração dos 150 anos do Liceu de Beja na presença do Sr. Ministro da Educação, Dr. José David Gomes Justino.

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