Poesia e Prosa

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CONVOCATÓRIA

Nos termos do Artº 15 dos Estatutos, convoca-se a Assembleia Geral para o dia 16 de Março de 2007, pelas 20h30m, numa sala da Escola Secundária Diogo Gouveia, com a seguinte ordem de trabalhos:

   1 - Apreciar e aprovar o Relatório e as Contas da Direcção, referentes ao ano 2006.

   2 - Proceder à eleição dos Corpos Gerentes para o período de 2007/2008.   

   3 - Outros assuntos.

Página actualizada em 31-03-2007

Mário Beirão nasceu em 1892, na Rua das Portas de Aljustrel, em Beja e faleceu em Lisboa, em 1965. Foi antigo aluno do Liceu de Beja. A sua poesia tem raízes saudosistas e populistas, sendo acentuado o seu profundo nacionalisno. O seu primeiro livro foi O Último Lusíada (1913), a que se seguiram Ausente (1915), Novas Estrelas (1940)  e O Pão da Ceia (1964), entre outros.

A paisagem alentejana é uma constante na sua obra poética, sempre convidando a alma à reflexão e à busca do infinito, tornando-se o espaço perfeito para as realizações da sua inspiração. Cria-se aí um espaço idealizado, no qual se manifesta seu lado bucólico-metafísico. Neste cenário coloca-nos o seu gosto pela luz do ocaso, do vento outonal, do culto do vago, da figura espectral e do sentimento da ausência.

Barros de Beja

Ledos campos de Outrora! em plena festa.
Por onde a minha infância,
Ditosa, decorreu1
Entre fumos dc cálida fragrância,
Deslumbramentos, extases do Céu:
Que resta
Desse inefável, em que tudo abria
Em flor e lumes siderais,
Desse inefável dc algum dia ?
Vago, indistinto
Sorrir de pôr-do-sol ~um sonho extinto...
Uma saudade a desfolhar-se em ais.

Pudesse eu regressar
A mim, volver
Ao intimo do ser,
Ao Anjo em que vivi transfigurado,
De longe em longe, como absorto, a errar...

Plainos de oiro de Beja do Passado,
Da minha clara infância e de outro Mundo,
Libertai-me do sono em que me afundo...
Que eu seja Luz, constelação sagrada,
O' voo para Deus duma «queimada»

Abril  de 1960                                 MÁRIO BEIRÃO

   Vales de verdes pinos tão sòzinhos

 " Vales de verdes pinos tão sozinhos,
   Alumiados da graça do Senhor;
   E, em arroubos ao Céu, - jardins em flor
   De enlaçadas roseiras sem espinhos...

 
   Ermidas onde ajoelham pobrezinhos,
   Sorrindo, como Cristo, à própria dor;
   Planícies de enigmático torpor
   Onde se escutam vagos murmurinhos...

 
   Por ti, meu pensamento é mais profundo
   E o meu canto mais alto se alevanta,
   Ó Lusitânia, coração do Mundo!

 
   O mar ergue o teu nome em seus delírios!
   E, em tardes de milagre, - ó mais que santa,
   Sobre o teu corpo o céu desfolha lírios! "
 

 

                                             Mário Beirão
 

Francisco António Covas Guerra, nasceu em Vidigueira, a 28-01-1922 e faleceu em Beja a 13-08-2001.
Fez o Curso dos Liceus em Beja, onde concluiu o 7º Ano (3º Ciclo) em 1940. Irnpossibilitado de continuar os estudos, seguiu a carreira de funcionário público, da qual se aposentou em 1984. Na juventude publicou alguns poemas na Gazeta do Sul, do Montijo, mas o exercício da profissão impediu-o de cultivar a poesia, a que dedicou algum do seu tempo livre de reformado,  até que a morte o levou do convívio de todos nós..
Folhos de Outono é o seu primeiro livro de poesia que integra não só alguns poemas de épocas anteriores, mas também, e sobretudo, obras produzidas mais recentemente e que, no dizer do autor ... são faces de um espelho / Que mostram pedaços /Da alma de um velho".

ROSAS

Á poetisa Maria Isabel Covas Lima de Carvalho

Rosas vermelhas, rosas amarelas,
E rosas brancas, como a branca neve,
Que lindo bouquet, de rosas tão belas,
Suave perfume, de aroma tão leve.

Flores de jardim, tão lindas e belas,
O meu roseiral tais outras não teve,
Ofereço-as a ti, flor como elas,
Suave perfume das rimas que escreves

Flor da Cultura, tu és como elas,
Perfumas o ar, no teu ideário
Cintilas na cor, à luz das estrelas,

             Porém, recolhida, em teu santuário,.               Redobras de amor, no sopro das velas                      Acesas que são, no aniversário.

HENRIQUE SILVA

OUTRORA...

De capa ao ombro e livro sob o braço.
Nessas manhãs de Abril, que longe vão,
Era certo eu passar, em lento passo,
Junto do roseiral do seu balcão.

Ao ver-me, ela, em costumada oferta,
A sorrir uma rosa me atirava.
Eu, tão feliz, na convicção bem certa
De que ela assim o seu amor provava.

Ah, quantas, quantas horas lá vivia,
De encantamento e de paixão infinda,
Sob aquele balcão, onde fulgia
A sua imagem graciosa e linda!

Por causa dela, enamorado assim,
Faltava a aulas, não andava bem.
É que indomável despontava em mim
A aurora do amor que cedo vem.

Como não tinha voz para cantar,
A colega, que a tinha, lhe pedia
Que cantasse nas noites de luar
As quadras que eu, a ela, lhe fazia.

Minhas cartas de então! Amor ardente
Eu punha nelas, sempre, ao escrever,
Cheias daquilo que, somente,
Um jovem coração sabe dizer.

Partiu um dia. Os olhos nos verteram
Lágrimas, quanto a mim, tão dolorosas!
Mas, depois...nossas ilusões morreram
Como haviam morrido as lindas rosas.

Muitos anos passados! Não sei dela.
Nunca mais vira tal balcão querido
Em que eu a adorava, pura e bela,
Tal qual Santa num altar florido.

Deserto, eu hoje o vi...Nem uma flor!
E de tristeza a alma me doeu
Ao recordar o meu primeiro amor,
Nesse saudoso tempo do Liceu
.

Henrique Silva

VIDIGUEIRA

(Terras de Pão, Gentes de Paz)

Das vertentes do Mendro deslizando
Em torrentes de vinhas e olivais,
Até ao Guadiana vai espalhando
Enormes extensões de laranjais.

Úbere é o seu solo, o clima brando,
Tem fértil produção de cereais;
O Sol dourado1 as chamas dardejando,
Aloura espigas verdes nos trigais.

Criando fruta, vinho, azeite e pão,
Gerou homens de grande ilustração,
Que, na toponímia, à memória traz.

Produzindo, em constante sementeira,
Assim é minha terra - a Vidigueira,
Com terras de pão e gentes de Paz

EMILIANO DA COSTA

PAISAGEM PORUGUESA

Beja. Sob o chaparro alentejano
Dorme-se melhor: sonha-se. Não corre
Sopro de vida. Só, 'squardando a terra,
Como é bela a atitude de uma torre!
 


E que torre! Esta torre assoberbada!
Símbolo de energia e de coragem,
Eu te evoco, Alma em pedra estatuada
 


A ti, Voz destemida, grito, berro,
Som de ferro embatendo noutro ferro,
Terribil de escutar, que vem de longe;
 


A ti, Génio admirável, Herculano,
Como outro neste mundo 'inda não foi:
Mendes da Maia, Porugal-herói,
A ti, que admiro comovidamente;
 


A tudo o que se agita e que perpassa
Por nós, que sobe à Torre de Menagem,
Que freme aqui – o Espírito da Raça.


 

               01-04-1960

Emiliano da Costa
 

O Relgio  tinha razão! ...

 Mais uma vez o pobre relógio vem à baila, sim, o relógio do Liceu , esse que a tantas gerações tem servido de tema para algumas notas satíricas dos seus teatros de fim de curso.

     Ele, pobre relógio porque não trabalhava, de mão dada com a piscina que nunca teve água (pelo menos cá em meu tempo) todos os anos eram trazidos a palco no “Pax Júlia”, como elementos mais representativos dos desconcertos no “prolongamento da nossa casa”, que era o Liceu, segundo a expressão de um saudoso professor que já não pertence ao número dos vivos. Muito satirizados foram pois, a triste piscina e o quedo e mudo relógio.

     Os tempos passaram, e eu que também tantas vezes desdenhei desta criatura renitente a toda a técnica e relojoaria, acho agora o momento de desculpa e lhe prestar a minha justa homenagem.

Exposto às intempéries na fachada do edifício, os seus ponteiros por vezes acossados por vento mais rijo, dava uma volta percorrendo o quadrante, para em breve caírem na sua posição mais cómoda, sobrepostos, indicando as seis, verticalmente. Entraram e saíram gerações deste Liceu e ele nos eus balanços anacrónicos continua indiferente ao tempo que passa, procurando quase sempre trazer unidos os dois ponteiros, como se o minuto e a hora fossem uma e a mesma coisa! Pois bem, que procuramos nós agora nesta festa que a todos também nos une, velhos e novos?

     Agora nós vamos recordar um estádio comum das nossas vidas, a condição de alunos do Liceu de Beja. Assim naturalmente alguns terão que recuar no tempo, uns mais que outros mas todos unidos pelo mesmo sentimento. Os mais novos terão de dar ainda muitas voltas para atingir a maturidade dos velhos, como o ponteiro dos minutos para prefazer a hora.

     Mas hoje que nos importa isso, se todos somos estudantes? É este quanto a mim o grande mérito da nossa Festa. A abolição pura e simples desse elemento que não sabe perdoar - o tempo.

     Ela permite-nos essa ilusão, de lhe ordenarmos que pare no seu evoluir apressado e que nos deixe por momentos mergulhar nas nossas recordações de moços a quem a vida surge como a aurora radiosa que desponta no além. Assim todos juntos iremos à aula sem que nenhum “gaseie”, todos recordaremos situações críticas, maus bocados, “estenderetes” e “boas partes” que sucederam. Quando tocar à saída viremos fumando o nosso cigarro, porém agora sem o perigo de ter que apagar a “beata” devido a algum encontro no corredor com pessoa respeitável que no outro dia nos possa chamar à pedra.

     Depois irem também almoçar, mas nenhum terá que se insurgir com a dona da pensão, pois é igual para todos já porque nestes dias somos todos uma família.

     Nem um irá para a Rua da Guia ou para a do Esquível nem outro irá para as Portas de Moura ou para a Praça da República fazer tempo até á saída das meninas do colégio, nem, enfim, a caminho do jardim explicar a alguma colega a última lição de botânica que a estrutura da corola do mal-me-quer, bem-me-quer...como aperitivo.

     Iremos antes confraternizar em banquete comum e no fim (eu calculo!) erguendo as nossas taças brindaremnos pelo momento presente, fazendo votos que ainda se repita presente, no futuro.

     E à saída o relógio do Liceu, que por acaso não é “falante” como os de D. Francisco Manuel de Melo, comprimentando-nos, excepcionalmente dirá: para quê marcar o tempo se afinal sois todos jovens? E nós anuiremos que ele tem a sua razão.

Alves da Costa (2ª Festa do Galo - 1960)

 

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A lei do <Fora de Jogo> ...

     De entre os professores dos meus primeiros anos liceais, conservo eu ainda emoldurada no album da saudade desses tempos a figura compreensiva, amiga e camarada do professor de ginástica Serradas Duarte, cuja passagem por Beja, apesar de fugaz, foi suficiente para o avaliar das suas brilhantes qualidades de mentor desportivo de jovens estudantes.

     Dado estranhamente às coisas do desporto, servindo-o com desusado amor e muita dignidade profissional, este homem, que chegou a ser nome marcante nos meios futebolísticos de Setúbal e da capital do País (como preparador físico das equipas do Vitória setubalense e do Belenenses), jamais descurava, em favor do “jogo das multidões”, o necessário programa de educação física e penso não me falhar a memória ao dizer que foi um dos anos da sua permanência em Beja, o último em que a classe de ginástica do Liceu participou em provas oficiais dessa modalidade.

     Conhecendo (ou tentando já perscutar) as nossas tendências para o jornalismo desportivo, um dia, ao lado de nós, quando assistíamos a um encontro de futebol inter-turmas, Serradas Duarte chamou-nos ao intervalo, e para deslindar uma discussão gerada acesamente num grupo de colegas, pegou numa pequena varinha apanhada do chão, traçou na terra as linhas de um campo e, com uma simplicidade extraordinária, começou a explicar o que era a tão discutida lei do “fora de jogo”.

     A princípio a explicação, apesar de cristalina como a água, não nos “entrou” imediatamente e foram necessárias várias demonstrações para que mal ou bem conseguirmos aprender uma primeira noção dessa importante regra do futebol.

     Alguns anos, passaram. Nunca mais tornámos a ver o professor Serradas Duarte e nem, presentemente, sabemos onde ele se encontra. Talvez por isso - ainda mais - se hoje pudéssemos, gostaríamos de o abraçar efusivamente e murmurar-lhe ao ouvido, assim, como se lhe diz um segredo a um bom amigo.

 - “Obrigado, professor. A sua lição, que por momentos esquecemos, tem-nos servido de muito. Com os encontrões que a vida nos tem dado já aprendemos de vez o que é estar “fora de jogo”.

José António Moedas (1960)

Antigo aluno do Liceu de Beja e saudoso jornalista do Diário do Alentejo.

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Uma sugestão

   Fomos ainda do tempo em que funcionava no Liceu de Beja, como acontecia em todos os outros estabelecimentos de ensino congéneres, a “Associação Académica”, que tinha como objectivos predominantes desenvolver regular acção cultural e artística e, paralelamente, uma persistente obra de assistência a favor dos estudantes em manifestas dificuldades financeiras, aos quais eram concedidos subsídios para propinas, livros, etc.

     Era esta a aplicação das receitas arrecadadas nas várias festas, récitas e saraus artísticos que se efectivavam em cada época escolar, com relevância para o da noite de 4 de Março, data da morte de Fialho de Almeida, que foi o patrono do Liceu, durante muito tempo, até que uma absurda resolução superior tirou essa honra a Beja e ao seu estabelecimento liceal.

  A “Associação Académica” tinha vida própria, activa; verdadeiramente profícua, sendo um organismo de estudantes, liberto de inibições ou tutelas contrárias à sua generosa essência, na qual a palavra solidariedade ocupava o primeiro lugar.

     Por outro lado despertava, estimulava e desenvolvia, entre os estudantes, o espírito de iniciativa, a noção de responsabilidades, o interesse pelas ideias associativas, pois era-lhes dado intervirem directamente na vida da Associação.

     Nas suas assembleias gerais, discutiam-se os assuntos mais importantes e eram livremente eleitos os dirigentes de cada ano lectivo.

     Numa palavra, a Associação Académica, com os seus estatutos e as suas normas funcionais, constituía um magnífico auxiliar da instrução e educação que as aulas ministravam, facultando aos estudantes uma salutar escola de princípios morais e de ensinamentos de grande valia para quando tomavam os primeiros contactos com a vida prática.

     Os alunos habituavam-se, desde logo, a ter opinião própria, a agir por si mesmos, a discutir os assuntos da sua Associação, a defender os seus pontos de vista (que interessava fossem ingénuos?) e a ensaiar-se na arte da oratória.

     Tal preocupação valorizava sem dúvida, a carreira mental dos estudantes, aperfeiçoava e robustecia a sua personalidade, dando-lhes “qualquer coisa” que, por via de regra, não se observava nos rapazes que não podiam frequentar o Liceu.

     Outro meio de proveitosa iniciação cultural era proporcionado pelos jornais académicos que se publicavam numa cadência regularíssima, chegando a existir dois, simultaneamente, cada um a defender uma corrente de opinião...

     Mas eram jornais de verdade, impressos em tipografias locais, e com os respectivos corpos redactoriais formados por estudantes e tendo como directores também estudantes.

     Que bem feitos eram alguns desses jornais, com colaboração variada, espontânea, versando assuntos académicos e temas literários!

     Não eram, jornais de ideias encomendadas e estereotipadas nos quais as opiniões dos seus redactores sofressem interferências estranhas e tirânicas mutilações...

     A reitoria do Liceu não exercia qualquer influência de orientação. Nas raríssimas vezes em que julgava conveniente intervir, fazia-o a mero título amigável, sempre aconselhando, nunca impondo. Entendia-se e bem, que aos estudantes cabia o direito de terem opiniões próprias e de as traduzirem nos seus escritos. Esse era o melhor sistema de se fazerem homens, de aprenderem a utilizar a inteligência e o seu cabedal de conhecimentos e de ideias.

     Mudou, depois, o clima de vida liceal. Desapareceram os verdadeiros jornais académicos e extinguiu-se a Associação Académica.

     O que se criou em substituição, não trouxe melhores resultados. Muito pelo contrário.

     E foi pena.

     Mudemos, porém de assunto, para fechar este nosso escrito com um alvitre.

     A Festa de 1950 e esta que vai efectuar-se agora, afirmam que está bem vivo o sentimento de confraternização entre os que passaram, em sucessivas épocas, pelo Liceu de Beja. Porque não aproveitar esse fervoroso pensamento para a criação da “Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Beja”, que teria por fim principal exercer uma permanente obra de auxílio aos antigos alunos para quem a sorte da vida mais madrasta haja sido e criar “bolsas” para os actuais alunos que mais se distingam e aos quais faltam meios materiais para prosseguirem os seus estudos?

     Por nós, cremos que seria esta uma forma de, em certa medida, assegurar a continuidade à extinta “Associação Académica”, fazendo ressuscitar a sua tão prestimosa acção e, ao mesmo tempo, tornando perdurável e dando-lhe um necessário sentido prático, a bela intenção que presidiu a estas duas “Festas de Confraternização” a de 1950 e a de 1960.

Manuel de Melo Garrido (1960)

Antigo estudante do Liceu de Beja e jornalista do Diário de Alentejo e colaborador de jornais da capital, já falecido.

 

A SUGESTÃO TORNOU-SE REALIDADE

     Melo Garrido não chegou a ver concretizada a sua sugestão, ele deixou-nos alguns anos antes da constituição da “Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Beja” que veio a materializar-se em 10 de Março de 1988, por escritura lavrada no Cartório Notarial de Beja, embora já existisse desde há alguns anos, de um modo não oficial.

     Tal, só foi possível devido à acção de um homem, António Freixial, que deu muito da sua energia para manter os princípios estatutários sempre vivos.

     A Associação vive dos parcos recursos obtidos com a quotização dos seus associados, antigos estudantes e professores (sócios auxiliares), e das receitas conseguidas com as “Festas do Galo”.

     Estas verbas são responsavelmente geridas e destinam-se, em primeira mão, aos estudantes economicamente mais carenciados. Ao longo destes quinze anos de existência, já foram concedidos vários milhares de euros, aliviando as dificuldades daqueles para quem, como dizia Melo Garrido, a vida foi madrasta.

     Para além da filantropia e da solidariedade, a Associação tem como objectivo a cultura, área que só não é desenvolvida e dinamizada face à inexistência da uma sede própria, que permita aos seus dirigentes concretizar as suas ideias e aglomerar ao seu redor um maior número pessoas, criando um elo mais forte entre mais jovens e menos jovens, que não se materialize apenas na “Festa do Galo”.

     Apesar dos esforços feitos no sentido de termos a nossa Sede, quer junto da Câmara Municipal de Beja, quer junto do Conselho Directivo da Escola Secundária Diogo de Gouveia (ex-Liceu), tal não foi possível, apesar de nos ter sido prometido pelo seu presidente, no seu discurso de boas vindas aos antigos alunos, em Maio de 1997 (IX Festa do Galo) que tal iria acontecer. No entanto, como diz o povo, “a esperença é a última coisa a morrer”, pelo que continuaremos a lutar para que este nosso sonho se concretize. A barragem Alqueva levou mais de trinta anos a construir, será que teremos que escrever a frase “Dêem-nos uma sede p....!”

A.Fernandes

13-03-2003

BLOGUES

Antigos Alunos do Liceu de Beja
Tenho eu aqui destacado sempre com orgulho a existência da página dos Antigos Alunos do Liceu de Évora (agora Escola Secundária André de Gouveia), por razões que não custam a entender; e eis que descobri hoje que existe página similar mantida pelos Antigos Alunos do Liceu de Beja, entretanto transformado em Escola Secundária Diogo de Gouveia.
Acontece até que cultivam rituais de convivência semelhantes: vai decorrer em Lisboa a 8 de Maio próximo o jantar de confraternização dos antigos alunos do Liceu de Beja, e já se realizou, também em Lisboa, o jantar da Primavera promovido pelos antigos alunos do Liceu de Évora.
Daqui vai um abraço aos colegas de Beja, e os votos de que continuem a manter viva a chama.
E já agora uma pergunta: de Portalegre, não há nada?
Posted by: Manuel  / 7:20 PM
Uma boca de nikonman
 

Quarta-feira, Março 10, 2004
ANTIGOS ALUNOS DO LICEU DE BEJA
Li num anúncio de jornal que se realiza hoje uma Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Beja.
Da Ordem de Trabalhos consta um ponto que diz: Outros assuntos.
Espero que a Direcção daquela Associação discuta como relançar as actividades de uma agremiação que, em tempos, era responsável pela organização da Festa do Galo e de um Almoço de Confraternização anual que juntava muitos antigos alunos do Liceu.
A última Festa do Galo foi em Maio de 2000. Desde então nunca mais se ouviu falar da Associação.
Sei que o Núcleo de Lisboa tem por hábito organizar anualmente uma jornada de convívio. E aqui em Beja? O que é que se tem feito?
Depois do falecimento da saudosa D. Maria Isabel e do nosso amigo Chico Freixial, a Associação entrou em agonia. Com a morte súbita do colega Salvador, parece que a Associação também ela morreu.
Como em 2005 se deveria realizar mais uma Festa do Galo, não seria agora uma boa ocasião para revitalizar a Associação?


# posted by nikonman : 3/10/2004 11:05:18 AM
passaram por aqui (2)
 

Não resistimos à tentação de transcrever o texto escrito pelo nosso antigo colega e jornalista do “Diário do Alentejo, Francisco Pratas, publicado no dia 21 de Outubro de 2005.

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de cordel

Francisco Pratas

O (nosso) já velho Liceu

Num qualquer dia do mês de Junho do ano de 1937, foi inaugurado em Beja o Liceu Novo da cidade, como os mais adultos da população o denominavam.

 E o Liceu Novo, era a menina dos olhos dos bejenses, tão surpresos estavam com a imponência da obra, coisa nunca vista por estas bandas, admitindo-se mesmo que tal só aconteceu por mor de um erro de localização do respectivo Ministério, que atribuiu o projecto para construção do supra dito estabelecimento à capital sul alentejana (a eterna esquecida), quando este, ao que parece, se destinava a uma importante cidade algarvia.

 Se assim é, foi a primeira e última vez, já que é hábito, ao que parece, dos muitos governos que por aqui fizeram História esquecerem, quase sistematicamente, esta cidade, quando os ventos apontam algo de importante na valorização da urbe.

 Agora, por exemplo, temos no ar a vaga promessa da construção de um aeroporto em local onde hoje se situa a Base Aérea 11, mas, estamos convictos, muita água correrá ainda debaixo das pontes, antes de descerem do céu, com armas e bagagens, aqueles que um dia, hão-de ser os primeiros passageiros a chegar a Beja por via aérea.

 Mas voltemos ao Liceu de Beja, inaugurado que foi há 68 anos, quando eu, verdade se diga, ainda era muito menino.

 Lembro-me, no entanto, embora de forma muito nebulosa, que no decurso das solenidades que assinalaram a inauguração da importante obra, estive ao colo de minha mãe, muito próximo das referidas instalações, que festa é festa, e que depois da “vinda do Rei a Beja”, nenhum outro figurão, até essa data (que eu saiba), se atrevera a cruzar as nossas frágeis fronteiras.

 Agora toda a população parecia embasbacada com a presença do então Presidente da República, general Óscar fragoso Carmona, de que recordo um pouco o brilho dos seus galões. Que diabo, era um general e logo Presidente da República. Houve palmas e foguetes, como é da praxe, e certamente algumas resmas de papel foram esgotadas com escritos de inflamados discursos, que o fascismo e seus acólitos, já andavam por aqui a dar as primeiras passadas.

 O facto é que Beja sentia-se orgulhosa daquela sua importante escola, “meta” superior de quantos completavam a primária e os familiares ainda dispunham de alguns meios que lhes permitiam, se o moço tivesse cabeça, avançar com a criança para estudos de maior folgo, que a passagem no exame de admissão aos liceus já estava garantida.

 E aquele mundo, para os que ainda podiam atingir tal patamar, era outra coisa. Tudo ali era novidade, inclusive as classes sem discriminação de sexo, e a escapadela à imposta uniformização da farda da MP que começava a infiltrar-se no ensino básico das nossas escolas. Já no Liceu, pelo contrário, dávamo-nos mesmo ao luxo de substituir essa tão caricata “fardajola”, pela tradicional “capa e batina”. E mais: A vestimenta académica permitia até, a quem a usava, não só assistir a todas as solenidades, como ostentar prosápias de cultura, excessivamente enganosas…mas simpáticas!

 Era assim o nosso velho Liceu, com a sua “Festa do Galo” de quatro em quatro anos; os seus renhidos jogos de futebol em campeonatos com a Académica (de Beja) a dar um ar de sua graça, e a malta na claque, expressando-lhe o seu entusiástico apoio, com o conhecido grito de guerra Efeerreá.

 Coisas bonitas dos anos Quarenta, que animavam por esses recuados tempos, esta minha pequena cidade!

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